Estação Criativa – Óleo e Gás

Dados e BPO no setor de óleo e gás: o que separa quem vai prosperar de quem vai ficar para trás

BPO no óleo e gás está se tornando o jeito mais direto de fechar a divisão entre empresas que decidem com dados e empresas que ainda operam no feeling. Minha coluna é sobre comunicação. E se tem uma coisa que aprendi trabalhando com empresas do setor de óleo e gás é que dado sem comunicação não vale nada. Você pode ter o melhor sistema do mundo, o lago de dados mais completo, os relatórios mais sofisticados, e ainda assim tomar decisões erradas se a informação não for lida, interpretada e compartilhada com quem precisa agir. Afinal, é sobre isso que quero falar hoje.

Por que existe uma divisão entre empresas que decidem com dados e as que não decidem?

Tem uma divisão acontecendo agora no mercado de óleo e gás que não aparece nos relatórios de produção e não tem nada a ver com o preço do barril. Em outras palavras, é a divisão entre empresas que tomam decisões baseadas em dados e empresas que ainda operam no feeling. E o resultado dessa divisão vai definir quem ainda vai estar competindo daqui a alguns anos.

Por que os dados ainda ficam presos em silos nas empresas de óleo e gás?

Durante décadas, a gestão financeira das empresas funcionou por silos. O financeiro tinha seus dados, a contabilidade tinha os dela, o fiscal, o RH e a operação cada um no seu quadrado, dificilmente conversando entre si. Para cruzar essas informações era preciso gente, planilha e muitas horas de trabalho manual. E quando a análise ficava pronta, no entanto, o momento de decisão muitas vezes já tinha passado. Essa não é uma crítica às pessoas envolvidas. É uma crítica à arquitetura da informação que a maioria das empresas ainda carrega.

Como um lago de dados muda o jogo para o setor?

A tecnologia disponível hoje permite criar um único lago onde todos os dados da empresa se encontram, financeiro, contábil, fiscal, operacional. A partir desse lago, com ferramentas de automação e inteligência artificial, você minera exatamente o que precisa, no momento em que precisa. O ouro sempre esteve lá. Ou seja, o que mudou é a velocidade com que você consegue extraí-lo e, mais importante, comunicá-lo para quem vai tomar a decisão.

O que é BPO no óleo e gás?

É nesse contexto que entra o BPO, sigla ainda pouco compreendida no Brasil mas que no mercado global já é realidade consolidada há décadas. A confusão mais comum é achar que terceirizar processos significa mexer no core do negócio, na operação principal. Não é isso. BPO é exatamente o oposto: é cuidar do que sustenta a operação principal para que a empresa possa focar no que faz de melhor, sem tropeçar no próprio suporte. Estamos falando de contabilidade, departamento pessoal, tributário, back office financeiro. Tudo aquilo que precisa funcionar com excelência nos bastidores para que a operação de campo, de exploração ou de prestação de serviços aconteça sem ruído.

Para empresas de óleo e gás, especialmente as prestadoras de serviço e as da cadeia de fornecimento, isso tem peso estratégico. Além disso, o ciclo de vendas é longo, os contratos são complexos, a margem precisa ser protegida em cada etapa. Qualquer ineficiência nos bastidores aparece no resultado.

Por que um parceiro de BPO enxerga o que a equipe interna não vê?

Uma equipe interna enxerga os processos de dentro, com os olhos de quem está acostumado com aquela realidade. O que funciona há dois anos parece natural, mesmo que já não seja o mais eficiente. Um parceiro externo chega com olhar crítico, com experiência em outros clientes do mesmo setor e com a disposição de questionar o que virou automático. É por isso que a comunicação volta a ser central: o valor de um bom parceiro de BPO não está só em executar processos, está em traduzir os dados desses processos em informação útil para a gestão. Em dizer, de forma clara, o que os números estão mostrando e o que precisa mudar.

A maioria dos gestores já sabe que precisa de mais controle, de decisões mais embasadas, de processos mais eficientes. O problema não é falta de consciência. Na verdade, é a virada de chave, o momento de parar uma operação que “funciona” para revisar o que está por baixo dela. E a pergunta que vale fazer antes de adiar mais uma vez é direta: quanto está custando não fazer essa virada?

Este post é baseado no episódio do Pode Navegar, o podcast da Estação Criativa feito especialmente para o setor de óleo, gás e energia.

Para assistir o episódio, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jyxJw5862NE&feature=youtu.be

Perguntas frequentes

Resumindo, o que é BPO no óleo e gás?

É a terceirização de processos de suporte, como contabilidade, departamento pessoal, tributário e back office financeiro, para um parceiro especializado, enquanto a empresa foca na operação principal.

BPO significa terceirizar a operação principal da empresa?

Não. BPO cuida do que sustenta a operação, não do core do negócio. A exploração, a prestação de serviço ou a operação de campo continuam internas; o que é terceirizado são os processos de apoio.

Por que empresas de óleo e gás precisam de um lago de dados?

Porque ele reúne dados financeiros, contábeis, fiscais e operacionais em um só lugar, permitindo extrair informação no momento da decisão em vez de esperar dias por uma análise manual.

Quais processos costumam entrar num contrato de BPO?

Contabilidade, departamento pessoal, tributário e back office financeiro são os mais comuns — tudo que precisa funcionar nos bastidores sem ruído para a operação principal.

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