Estação Criativa – Óleo e Gás

Logística integrada offshore: o modelo que está mudando a operação de petróleo e gás no Brasil

Logística integrada offshore é o modelo que está resolvendo um problema antigo no Brasil. Esse problema é a fragmentação entre quem faz o quê na operação de petróleo e gás. Escrevo sobre comunicação. Por isso, uma das coisas que mais me fascina nessa área é o que acontece quando uma informação chega fragmentada. Ou seja, quando ela chega pelo caminho errado, no momento errado. Nesses casos, o resultado quase sempre é o mesmo: atraso, retrabalho e dinheiro perdido. Conversei com o Nelson, especialista com 30 anos de história em supply chain e logística offshore. Com ele, entendi que a operação portuária e marítima sofre exatamente do mesmo mal. Além disso, existe um modelo que resolve isso, e poucos ainda o conhecem no Brasil.

Por que a logística offshore tradicional gera tanto risco?

Na logística offshore tradicional, uma operadora de petróleo e gás contrata separadamente a empresa de porto, a de transporte rodoviário e a de navegação. São três agentes diferentes, com ritmos e responsabilidades diferentes. Inevitavelmente, isso gera ruídos de comunicação entre eles. Num setor onde cada minuto parado pode custar milhares de dólares em diária de embarcação ou em produção perdida, esse risco pesa ainda mais. Afinal, depender de múltiplos agentes para entregar uma operação coordenada é, no mínimo, arriscado.

O que é logística integrada offshore?

A logística integrada offshore resolve isso de um jeito direto. Um único operador passa a responder por toda a cadeia, do transporte rodoviário à operação portuária, incluindo o apoio marítimo. Ou seja, a operadora para de gerenciar fornecedores e passa a gerenciar um resultado. É uma mudança simples de enunciar, mas profundamente complexa de implantar. Isso porque ela mexe com processos consolidados há décadas. Mexe também com o mindset de tripulações acostumadas a esperar a programação chegar, e não a ir buscá-la.

Como foi a primeira implantação desse modelo no Brasil?

Nelson implantou esse modelo pela primeira vez no Brasil em 2018. Foi numa operação para a maior empresa de exploração e produção de petróleo do país. O desafio não foi tecnológico. Na verdade, foi cultural. Navios passavam 20 dias ociosos no fundeio, num contrato mensal. Por isso, a tripulação precisava entender que eficiência e produtividade não eram conceitos importados por engano do mercado automotivo. Eram, na verdade, a nova régua da operação. Depois de três anos, o resultado foi claro: downtime praticamente zero, zero acidentes com afastamento e uma eficiência que virou benchmark no setor. Hoje, outras operadoras vão conhecer o modelo de perto.

Por que comparamos a logística integrada offshore ao Uber?

O paralelo que Nelson usa para explicar a logística integrada é o do Uber. Você pode ter um carro, mas, enquanto ele fica parado, está se depreciando e custando. Assim, se você tem um aplicativo que manda o carro certo, na hora certa, para o destino certo, você não precisa mais ter o carro. As operadoras de petróleo não precisam ser especialistas em logística. Na verdade, elas precisam apenas de petróleo produzido com segurança e eficiência. Por isso, vale deixar a complexidade logística nas mãos de quem ama esse tema, como o Nelson. Esse caminho libera energia e reduz custo. Além disso, diminui emissões de gases de efeito estufa, porque as viagens passam a ser mais efetivas e menos ociosas.

O que ainda trava essa mudança no Brasil?

O que ainda trava a adoção mais ampla desse modelo no Brasil são, em parte, questões regulatórias. Um exemplo é a obrigatoriedade de embarcações dedicadas ao plano de emergência individual. Essas embarcações ficam paradas, aguardando um acidente que, felizmente, quase nunca acontece. Ou seja, são ativos ociosos por exigência legal. É exatamente aí que a comunicação volta a entrar. Afinal, mudar esse cenário exige diálogo com autoridades e construção de novos modelos coletivos de segurança. Exige também a capacidade de mostrar, com dados, que eficiência e segurança não se contradizem.

O setor de óleo e gás está mudando. Não de uma hora para outra, não sem resistência, mas está. Aliás, quem entender que a logística não é um custo de suporte, mas uma alavanca estratégica de competitividade, vai chegar na frente.

Este post traz as ideias do episódio do Pode Navegar, o podcast da Estação Criativa feito especialmente para o setor de óleo, gás e energia.

Quer assistir ao episódio? Clique aqui: https://youtu.be/5oMXhpmUWNM

Perguntas frequentes

Resumindo, o que é logística integrada offshore?

É um modelo em que um único operador assume toda a cadeia logística, do transporte rodoviário à operação portuária e ao apoio marítimo. Ou seja, a operadora deixa de contratar cada etapa separadamente.

Qual a diferença entre logística offshore tradicional e integrada?

Na tradicional, a operadora contrata porto, transporte e navegação separadamente, cada um com ritmo e responsabilidade diferentes. Na integrada, um único operador responde pelo resultado da cadeia inteira.

Por que comparamos a logística integrada ao modelo Uber?

Porque a operadora deixa de gerenciar e manter seus próprios ativos de transporte. Em vez disso, ela passa a contar com o recurso certo, no momento certo, sem nada parado se depreciando.

O que ainda impede a adoção mais ampla desse modelo no Brasil?

Questões regulatórias, como a obrigatoriedade de embarcações dedicadas a planos de emergência que ficam ociosas por exigência legal, ainda travam parte da mudança.

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